segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

ZICO: TALENTO, HUMILDADE, GENEROSIDADE!




---Zico foi grande. Cresci com o rádio colado no ouvido, visualizando na alma da voz de Jorge Cury suas peripécias, sua arte, sua magia. Em 1974, Zagalo pessoalmente lhe pediu desculpas por não tê-lo levado à Copa, por ser - embora gênio - muito jovem. Foi um erro, pelo qual o Brasil pagou caro, em 1978. A ida em 74 teria feito de Zico um outro jogador em 78, quando não rendeu. Quando rendeu, em 82, foi aquela tragédia de apagão coletivo sob Paolo Rossi, só não maior que a da Copa de 50, no Maracanã, mas muito superior à tão propalada derrota da Hungria de Puskas para a Alemanha, na final da Copa de 1954!
---Mas não era ainda o fim da história de Zico. Com o joelho criminosamente arrebentado numa agressão assassina no famoso jogo com o Bangu, em 1985, pelo zagueiro Marcio Nunes, Zico vai ao México, em 1986 sem condições de jogo. Mesmo assim, Telê o coloca ao fim de algumas partidas, e ele vai bem, craque que era. Até que vem o pênalti contra a França. Um dos melhores jogos de Copa do Mundo. A França, tinha Tresor e Platini. Zico entra com o jogo empatado. Na sua primeira jogada faz o lance que resulta no pênalti em Branco. O Brasil inteiro comemora. Zico era científico, preciso, nas bolas paradas. Estava frio, não queria bater, mas pediram que o fizesse, era o craque do time, estava acostumado a chamar a responsabilidade. Corre e chuta. O goleiro pega. Zico abaixa a cabeça. Careca o conforta. Jogo empatado. Ao fim, disputa de pênaltis para decidir a vaga na semifinal. Platini perde. Zico marca. Julio Cezar e Sócrates (numa cobrança ridícula!) perdem. Mas a história malvada do populacho ressentido - como já, também injustamente, fizera com Barbosa em 1950 - registrou: 'Zico, o que perdeu o pênalti que nos faria campeões!'.
---Em 1990, ainda craque e ativo, campeão da Copa União em 1987, o sondam para ir a outra Copa. Ele recusa. Foi Ministro dos Esportes, infelizmente, no Governo Collor. Faz uma boa lei para acabar com a lei da escravatura do passe que, no Congresso é destruída, empurrando-se ali os bingos e quase quase os cassinos. A Lei, infelizmente, leva o seu nome e a má fama do texto retalhado o persegue até que, no governo seguinte, Pelé sofre a mesma mazela.
---Zico cria um centro de futebol e um clube, o CFZ. Vai para o Japão, se reinventa, inventa o futebol japonês com muito mais competência do que o fizara Pelé nos Estados Unidos. É campeão como jogador, faz gols incríveis, daí, vira técnico e volta a ser campeão. O Japão recebe uma Copa, graças a Zico, ao final das contas. Hoje, tem carreira vitoriosa de técnico internacional, realizando pequenos milagres, sempre com o seu irmão Edu (o Eduzinho do América dos anos de 1960) a tiracolo.
---A pelada beneficente que realizava desde os tempos de garoto de Quintino, começando no Flamengo, e que era um joguinho de futebol de salão, num ginásio, cresce. Vai para o CFZ. Há dois anos, o Maracanã é o palco merecido. A casa do Galinho de Quintino. Ali, onde tantas vezes choramos com suas glórias. Ali, onde ele passeia como se fosse o gramado do seu jardim.
---E ali, dá-lhe lições de humildade e generosidade!
---Ainda no CFZ, Maradona vai jogar com Zico, no jogo das estrelas de 2006. O jogo era dele, Zico. Mas, ele, grandiosamente, sem se importar com as disputas históricas e discussões ridículas entre argentinos e brasileiros, cede a camisa 10 para Maradona, já combalido pelas idas e vindas no mundo das drogas. Zico, humildemente, afirma: "O jogo é dele! Ele é a estrela". Aliás, na única vez em que Pelé jogou pelo Flamengo (1979, num jogo beneficente para vítimas de enchentes em Minas Gerais, contra o Atlético Mineiro) Zico fez questão de que o Rei usasse a 10, assim, sem rancores de qualquer ordem e que poderiam tomar de vaidades o então jovem atleta - que fora tão criticado por Pelé!
---Pois agora, domingo último, para 72.000 pessoas, Zico fez mais uma que reforça seus talentos de craque não só da bola, mas da existência. Na Copa de 1998 - todos lembram, aquela em que Ronaldo teve um piripaque na final e em que Romário não foi, cortado - o marrento 'peixe' saiu acusando o Galo de ter sido o responsável pelo seu corte, e, portanto, pela derrota na Copa, já que se ele, Romário, estivesse em campo... Romário chegou a fazer uma grosseria com Zagalo e Zico, pintando charges indecorosas de ambos na porta dos banheiros de um bar da moda que então possuía.
---Pois Zico ligou para Romário e o chamou para o jogo! E o recebeu com elegância de Rei, com magnanimidade de alta nobreza, e selou a paz em pleno gramado.
---Um homem sem rancores, grato à educação de subúrbio de Quintino, de pelada na rua e avós balançando nas cadeiras de plástico na varanda, grato pela família, devotado aos pais e ao país, este é o Rei. Arturzico! Aquele que mandaram abandonar o futebol quando começou, porque era magro demais e sem jeito.
---Aquele homem, Zico, sem rancores. Que pega o passado e o derrota porque a vida é pra frente que segue. Diga-se: Zico, já em 1987, quando Márcio Nunes (o zagueiro da entrada assassina) o procurou pedindo desculpas, perdoou-o sem delongas: "No fundo, sei que ele não teve a intenção de fazer aquilo. Mas, infelizmente, fez. De qualquer jeito, já sofreu muito com tudo isso", lamentou Zico. E Márcio Nunes: "Só de lembrar, eu choro. Quando ele disse que eu estava perdoado, desatei a chorar. Foi um momento muito lindo", recorda.
---Aprendam, jovens ansiosos por fama e glória e dólares e Europa, como se constrói, mais que um craque de bola, um ídolo, um exemplo, uma inspiração de vida. Persistência, resistência, coragem, humildade, capacidade de perdoar, generosidade e grandeza de alma: Zico! Tá bem, tá bem, aqui ao final eu confesso: meus olhos se encheram de lágrimas no domingo, sim! Porque Zico é grande! Romário nos deu uma Copa, é verdade, e foi pouco. Mas Zico, que uma Copa não trouxe, nos deu uma legenda, um exemplo, a sabedoria de uma existência!
---Irei ao Maracanã tirar uma foto ao lado da sua estátua. Assim como fiz com a de Drummond de Andrade, em Copacabana e a de Augusto dos Anjos em João Pessoa. É que grandes poetas (Zico, Drummond, Augusto) me inspiram.

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

BUSCANDO A VERDADE NAS PEDRAS


Mentiras, as vi.

Na ditadura militar, eram o ar que se respirava. Quando a ditadura se encerrava, mentiras eram o pão diário na mídia que construiu um presidente-bravata. De mentira, alimentou-se a seqüência socialdemocrata, e na mentira banha-se o atual governo que, louvando-se nas muitas lutas e vitórias históricas da esquerda, somente para conquistar posição, guarda no bolso uma vergonhosa derrota que exibe como vitória: o governo que usou o sangue dos mortos para ascender e não cumpriu promessas de décadas - já século - de lutas dos trabalhadores brasileiros. Seu dedo decepado num torno, o filme propaganda que estréia, as metáforas corintianas, o bonachão que pronuncia o mesmo “erradamente falante” do povo, tudo conjugado para fazer persistir o status quo centrado no mercado, nos podres poderes que entregam... nem dedos, doam unhas, e as têm como um Zé do Caixão, unhas longas, para décadas ainda de homeopatia cruel num país que demanda cirurgias... Assim, ao fim das contas “nunca antes na história deste país” se viu tanta mentira... Tão repetida, ganha ares de autoridade, enganando os incautos.

Mas vi mentiras ocupando altares e púlpitos de igrejas, centros, terreiros... religiosidades buscando atalhos humanos para o sagrado, inviáveis esforços próprios, espertezas, o pistolão de atravessadores da fé, de espiritualidades atuando como síndicos de condomínios pequenos, proprietários de cabeças de porco, dando cubículos de alívios imediatos sob a promessa de heranças que não podem entregar... tudo mascarando a verdade do penoso caminho da compreensão e da aceitação da Graça, este mistério sublime, dom de Deus feito para humilhar anseios filosóficos, experiências científicas, sapiências humanas. A manjedoura, tão frágil elemento cravado no meio dos séculos, a manjedoura, tão forte. Crisálida de ouro. Deus Menino, mais que metáfora, verdade encarnada, o desvestir-se da Glória, dos tronos, dos planetas, o virar grão. Assim, Deus se fez. A verdade que não troveja, pede colo, em cada coração.

E se mentiras vi em ambientes que seriam sagrados, porque não as veria onde os salões se pretendem apenas solenes? A Justiça mitigada, traída, pelos que querem que a lei seja uma pedra, seca, estéril, pedra pesada e sem curvas, pedra que rala inocências, que rasga, que permanece nos tempos, obeliscos vigiando desertos. E tantos querendo dar à pedra o status de Justiça, de correção, de coisa que não pode ser mudada, esta, a mentira. Porque em verdade, a lei deve ser um mármore para a operação de Michelangelos. Deve-se fazer dela um Davi, acima de tudo, fazer da pedra uma Pietá, a piedade sem a qual a Lei nada vale. E para tanto, é necessário quebrar na pedra as arestas, arredondar as ranhuras, lixar-lhe o que impede a beleza, a Justiça, a obra do bem, deixar o que produza o êxito da alegria. Mas existem adoradores de pedras, infelizmente. Vão buscá-las nos rios, nas pedreiras, mesmo. E acham que por terem rolado nas águas estão completas. E imaginam que a obra da picareta e da dinamite as tornou o máximo que poderiam ser. Não é verdade! A pedra que vem da extração crua e bruta, arrancada do ventre da rocha gigantesca, demanda apuro e cinzel, conforme a ocasião e a necessidade do piso da alma a que se destina. Mas ainda hoje prevalecem os que mentem dizendo aos desprevenidos de malícia que aquele bloco é obra intocável, obra perfeita, que mexida não pode ser, que interpretada em benefício do bem, jamais o será! Porque é pedra. Não pode ser tocada. Mesmo que a justiça morra, prevalece a pedra. E assim a lei se torna, em verdade, pedra mortuária. Debaixo dela, morrem crianças. É o que desejam os que mentem sobre uma legalidade cega e estática, legalidade tumular, mausoléu onde encarceram a bondade. Mentiras assim causam dores insuportáveis.

Mas cabe persistir, entoando o cântico da verdade. Cabe ser a água que goteja diariamente no muro até que o invade. Cabe insistir para que olhos sejam abertos, e a pedra perceba que pode ser ponte do bem, vaso da piedade, amparo da Justiça. Cabe insistir para que os soldados da pedra - que, por descuido da alma, inflexíveis que são, pedra eles próprios, acabam se tornando - sejam resgatados para libertá-la da sua postura de esfinge aprisionada, crua e cruel. Que se transforme em utensílios, em pratos contra o jejum das crianças, em bancos para repouso dos velhos, em painéis nos quais se escreva a bondade, em jardineiras onde floresça, finalmente, a verdade!

Que o Natal nos encha de manjedoura o coração, para que em 2010 venha a chuva da verdade, a chuva quebradeira dos cárceres de granitos sem alma. Que os guardiões das pedras percebam que elas, as leis e as pedras, só valem se o seu âmago, seu veio de ouro e bondade é encontrado, libertado e oferecido numa salva à humanidade, como raiz da felicidade.

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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL, MAIS UMA VEZ! Este, para curtir e meditar!

Ora havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho.
E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor.
E o anjo lhes disse. Não temais porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo;
Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador que é Cristo, o Senhor.
E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura.

Lucas 2:8-12
Clipe com música de Eliezer Setton:

FELIZ NATAL, DE NOVO!!!

E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias
em que ela havia de dar à luz. E deu à luz a seu filho primogênito,
e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura,
porque não havia lugar para eles na estalagem.
Lucas 2: 6-7

FELIZ NATAL

Porque um Menino nos nasceu, um filho se nos deu,
e o principado está sobre os seus ombros,
e o seu nome será:
Maravilhoso, Conselheiro,
Deus Forte, Pai da Eternidade,
Príncipe da Paz!
Isaias 9 :6

sábado, 19 de dezembro de 2009

O MEDO VENCEU A ESPERANÇA!


O fracasso da proposta de Acordo da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso de Teresópolis, em 18/12, pela recusa de assiná-lo, por parte da PMT, do CT e do CMDCA foi uma surpresa triste de fim de ano, principalmente sabendo-se que assim agiram nitidamente intimidados, ameaçados, por uma equivocada recomendação do MP. Mas, assim é a vida. A luta segue.

Veja, neste link, a nota da Drª Inês Joaquina sobre o assunto:


http://vijiteresopolis.blogspot.com/2009/12/nota-da-vara-da-infancia-sobre-o.html

domingo, 13 de dezembro de 2009

CALEBE


---Calebe foi um herói israelita. Mas é um herói para todos que têm fé. Um exemplo para quem tem que enfrentar inimigos difíceis.


---Companheiro de Josué, o líder guerreiro que sucedeu a Moisés. Um dos 12 espias enviados pelo Patriarca para a Terra Prometida. Dez deles voltaram apavorados com o que viram, apostando na derrota de Israel, caso fossem à guerra. Apenas Josué e Calebe, não. Houve uma assembléia e muita discussão. Calebe tomou a palavra, um jovem apenas, mas com autoridade insistiu que deviam ir à batalha. Moisés recompensou o destemor de Calebe com a promessa de uma pedaço de terra no novo país que iriam criar, o pedaço de terra que Calebe havia pisado na sua missão. A batalha não ocorreu, porque o povo se acovardou. Mas Deus disse que, de todo aquele povo de Israel que saíra do Egito, somente Josué e Calebe entrariam na Terra Prometida. Foi o que aconteceu, após uma longa peregrinação no deserto e uma série de guerras.

---Octogenário, Calebe reencontra o velho companheiro, Josué, o líder do povo e o general de tantas vitórias. Deve ter sido um encontro emocionante. Dois homens rijos, cheios de cicatrizes de batalhas, revestidos de armadura e fé. As boas lembranças dos soldados de Deus devem ter enchido seus abraços. Mas Calebe tinha já 85 anos. E foi até Josué, agora em tempos de paz e vitória, cobrar a promessa de Moisés. E a sua fala é imortal. Está no capítulo 14 do livro de Josué:

5 Como o SENHOR ordenara a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel, e repartiram a terra.
6 Então os filhos de Judá chegaram a Josué em Gilgal; e Calebe, filho de Jefoné o quenezeu, lhe disse: Tu sabes o que o SENHOR falou a Moisés, homem de Deus, em Cades-Barnéia por causa de mim e de ti.
7 Quarenta anos tinha eu, quando Moisés, servo do SENHOR, me enviou de Cades-Barnéia a espiar a terra; e eu lhe trouxe resposta, como sentia no meu coração;
8 Mas meus irmãos, que subiram comigo, fizeram derreter o coração do povo; eu porém perseverei em seguir ao SENHOR meu Deus.
9 Então Moisés naquele dia jurou, dizendo: Certamente a terra que pisou o teu pé será tua, e de teus filhos, em herança perpetuamente; pois perseveraste em seguir ao SENHOR meu Deus.
10
E agora eis que o SENHOR me conservou em vida, como disse; quarenta e cinco anos são passados, desde que o SENHOR falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto; e agora eis que hoje tenho já oitenta e cinco anos;
11 E
ainda hoje estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força então, tal é agora a minha força, tanto para a guerra como para sair e entrar.
12 Agora, pois, dá-me este monte de que o SENHOR falou aquele dia; pois naquele dia tu ouviste que estavam ali os anaquins, e grandes e fortes cidades. Porventura o SENHOR será comigo, para os expulsar, como o SENHOR disse.
13 E Josué o abençoou, e deu a Calebe, filho de Jefoné, a Hebrom em herança.
14 Portanto Hebrom ficou sendo herança de Calebe, filho de Jefoné o quenezeu, até ao dia de hoje, porquanto perseverara em seguir ao SENHOR Deus de Israel.
15 E antes o nome de Hebrom era Quiriate-Arba, porque Arba foi o maior homem entre os anaquins. E a terra repousou da guerra.

UM HERÓI BRASILEIRO


---Apolonio de Carvalho, o nome dele. Nasceu em 1912. Foi militar. Militante do PCB, lutou pela ALN na chamada Intentona de 35. Preso pela Ditadura Vargas. Solto, vai para a Europa. Na Guerra Civil Espanhola, do meio para o fim dos anos 30, lutou nas Brigadas Internacionais, que defendiam o governo republicano contra o fascismo de Franco (apoiado por Hitler). Quando Franco vence, vai para a França. Ali, combate o nazismo, participando da Resistência Francesa. Comanda a guerrilha. Conhece sua grande paixão, uma militante comunista, chamada Renée, que se torna mãe de seus dois filhos, também eles, futuramente, militantes aguerridos. Comanda pessoalmente a libertação de 03 cidades francesas das garras nazistas. Ao final da guerra recebe, como herói da Resistência, a Legião de Honra, maior condecoração do governo francês. Volta ao Brasil. Quando o Partido Comunista sai da breve aventura da legalidade, vai para a clandestinidade. Nos fins dos anos 50 até o golpe de 1964, e atua organizando bases de trabalhadores no Brasil inteiro, dando cursos de formação. Crítico do centralismo do PCB e dos equívocos que ajudaram o golpe, rompe com o Partidão e funda o PCBR, sempre apontando a luta. Quando vem o golpe, é preso e torturado. Também seus filhos. Vai para o exílio, trocado pelo embaixador alemão sequestrado. Com a Anistia, anos depois, volta ao Brasil e rapidamente retoma a militância. Apoia o MST. Assina a ficha de filiação nº 01 ao PT. Torna-se dirigente nacional, nos anos de bom combate do que hoje é apenas um arremedo daquele sonho partidário. Morre em 2005.

---O livro sobre sua vida, tem o nome do documentário que revi hoje, em que ele aparece, um homem completo, vitorioso, aos 90 anos, risonho, como risonha toda a sua família, mesmo os filhos de infância difícil, mesmo a mulher, sacrificada pela militância, uma família que se uniu em torno de uma luta... Nome do documentário, nome do livro, lema de sua vida: "Vale a pena sonhar!"

---Que seja esta a inspiração da semana difícil que virá! (Mais Camilo Cienfuegos, Josué e... acima de tudo: Calebe!) Amém.

sábado, 12 de dezembro de 2009

A SALVAÇÃO PASSA PELO EGITO


Cansaço. Cansaço. Cansaço. Cansaço. Cansaço.
O corpo reclama. A mente, moída, escorre pela orelha.
Os músculos parecem que foram mordidos por uma torquês de fogo.

Pessoas usando suas almas pesadas como navios encalhados,
muros vivos, atrapalhando a caminhada.

Pessoas queridas no hospital, precisando de amparo... e o tempo é curto.
Pessoas na rua, precisando de socorro,
como o menino que quase abandona o bom caminho, o difícil caminho, e
retorna à morte em vida do tráfico de fácil estrada... e o tempo é curto.

As discussões intermináveis com aqueles que,
por medo de atravessar o Mar Vermelho, não chegarão à Terra Prometida...
e o tempo é curto.

Os que dizem não à caminhada se multiplicam, como coelhos, e nos obrigam
ao debate eterno. E o tempo é curto.

Coitado de Colombo... explicando a todos os tronos, a todas as bandeiras,
a todas as tabernas, a todas as igrejas, a todas as praças,
seus planos... tão óbvios e tão incompreendidos,
porque eram novos, e por isso, óbvios não eram
para quem durante milênios cultivou antolhos....
E o tempo era curto.
Mentiras. Traições. Fofocas.
Assim, nas grandes navegações...
Assim, na tentativa de fazer as pessoas
verem que há pessoas por detrás das leis...
Leis não podem ser grades, têm que ser pontes.
Mentiras. Traições. Fofocas.
As escolas pioraram por minha culpa. Assim, o Fórum, a cidade.
A última: o Carnaval piorou muito por minha causa.
Daqui a pouco, em Copenhagem descobrirão
que estou por detrás da indecente proposta dos países ricos,
talvez do próprio aquecimento global!


Cansativo. Cansativo. Cansativo. Cansativo. Cansativo.
E o tempo é curto.


Mas há causas e bandeiras envolvidas. Pessoas podem ser resgatadas.
aqui e ali, uma pessoa de bem que quer que a caminhada virtuosa prossiga.


Natal chegando. Bela, dourada, divinamente inocente, a manjedoura.
Mas depois da manjedoura, a gente sempre esquece, houve uma fuga para o Egito.
Sacolejo no lombo do burro, o leite pingando no seio de Maria,
Deus chorando de frio, pessoas olhando de lado,
a noite no deserto, com seus escorpiões à espreita, José insone, de guarda.


A salvação vem dos desertos, passa pelos lombos de burro, nas viagens sem fim.
Por isso, prossigo.




Amém.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

LEALDADE MALÉFICA


---Há dias falei sobre um acordo... que iam me ouvir e tal... Pois é! Talvez tenha sido ingenuidade...Pode não ser agora! Descobri que, assim como acontece na reunião da Dinamarca, tem muito embromation e falsidade, além de covardia e `rasteira esperteza por trás de palavras pronunciadas como máscaras de gestos erráticos!

---Pior, descobri um coisa pavorosa, abjeta, pecaminosa, que denominei de "LEALDADE MALÉFICA"...

---Trata-se daquele sentimento que alguns pobres de espírito têm, de irem até o fim, mesmo depois de descobertos erros e maldades de seus "líderes" ou de suas propostas iniciais... Trata-se da coerência idiota, de ter visto suas certezas desmoronarem, mas seguir em frente, afirmando, sei lá, que elefantes voadores existem, ou que Conselhos Tutelares estão aparelhados, por exemplo!

---LEALDADE MALÉFICA só subsiste porque o abismo que ela provoca é queda e ossos quebrados só para outros... Quando vier a vertigem pra si próprio, esse tipo de fiel desaparece... porque o instinto de sobrevivência fala mais forte! É oportunismo, é preguiça, é maucaratismo.

---Fazer isso com crianças e adolescentes é terrível!

---Mas um dia inda vão me ouvir, eu creio! Eu insisto!

GERAÇÃO ZICO - ecos da final


---Andrade, o camisa 6, que marcou o 6º e emblemático gol no 6 x 0 devolvido gloriosamente ao Botafogo nos anos 80, nos dá agora o 6º título brasileiro. Viva!

---Petkovic, ressurgido! Este, o maior mérito de Andrade!

---E o zagueiro David, um molequinho? Que partidaça no domingo! Futuro de seleção (sou bom de palpite, aviso!) Segurem a cabeça desse garoto! E assim o Flamengo ressuscitará outra tradição, a de criadouro dos grandes zagueiros: Domingos da Guia, Mozer, Júnior Baiano, Leandro (que ao fim da carreira jogou de zaqueiro de área com brilhantismo), Juan... etc!

---Bonito a torcida fazer bandeiras com o rosto dos hexampeões! Talvez algumas precipitações... não sei o Gil, por exemplo já merece bandeira... afinal as que havia até agora eram dos campeões do mundo de 81 (Zico, Adílio, Andrade, Lico, Tita, Nunes, etc)! Mas na hora, valeu o carinho e a presença da torcida, que deu um banho. Pena que isso (o carinho, a confraternização) só perdure dentro do Maracanã...

---Bonito ao final do jogo ter havido confraternização pelas ruas do país, entre botafoguenses, tricolores, e rubronegros ! Tão bom se fosse assim o ano todo!

---Ronaldo Angelim... O Rondinelli da hora! Que história bonita! Que raça, e que humildade!

---Muito ridículo esse negócio de a TV só mostrar festa do Flamengo no Leblon, e esquecer que rubronegros moram em Madureira, Dq de Caxias, etc, e que também lá fazem festa! Ao que se sabe, lá não houve pitboys rolando no asfalto...

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