terça-feira, 8 de dezembro de 2009

LEALDADE MALÉFICA


---Há dias falei sobre um acordo... que iam me ouvir e tal... Pois é! Talvez tenha sido ingenuidade...Pode não ser agora! Descobri que, assim como acontece na reunião da Dinamarca, tem muito embromation e falsidade, além de covardia e `rasteira esperteza por trás de palavras pronunciadas como máscaras de gestos erráticos!

---Pior, descobri um coisa pavorosa, abjeta, pecaminosa, que denominei de "LEALDADE MALÉFICA"...

---Trata-se daquele sentimento que alguns pobres de espírito têm, de irem até o fim, mesmo depois de descobertos erros e maldades de seus "líderes" ou de suas propostas iniciais... Trata-se da coerência idiota, de ter visto suas certezas desmoronarem, mas seguir em frente, afirmando, sei lá, que elefantes voadores existem, ou que Conselhos Tutelares estão aparelhados, por exemplo!

---LEALDADE MALÉFICA só subsiste porque o abismo que ela provoca é queda e ossos quebrados só para outros... Quando vier a vertigem pra si próprio, esse tipo de fiel desaparece... porque o instinto de sobrevivência fala mais forte! É oportunismo, é preguiça, é maucaratismo.

---Fazer isso com crianças e adolescentes é terrível!

---Mas um dia inda vão me ouvir, eu creio! Eu insisto!

GERAÇÃO ZICO - ecos da final


---Andrade, o camisa 6, que marcou o 6º e emblemático gol no 6 x 0 devolvido gloriosamente ao Botafogo nos anos 80, nos dá agora o 6º título brasileiro. Viva!

---Petkovic, ressurgido! Este, o maior mérito de Andrade!

---E o zagueiro David, um molequinho? Que partidaça no domingo! Futuro de seleção (sou bom de palpite, aviso!) Segurem a cabeça desse garoto! E assim o Flamengo ressuscitará outra tradição, a de criadouro dos grandes zagueiros: Domingos da Guia, Mozer, Júnior Baiano, Leandro (que ao fim da carreira jogou de zaqueiro de área com brilhantismo), Juan... etc!

---Bonito a torcida fazer bandeiras com o rosto dos hexampeões! Talvez algumas precipitações... não sei o Gil, por exemplo já merece bandeira... afinal as que havia até agora eram dos campeões do mundo de 81 (Zico, Adílio, Andrade, Lico, Tita, Nunes, etc)! Mas na hora, valeu o carinho e a presença da torcida, que deu um banho. Pena que isso (o carinho, a confraternização) só perdure dentro do Maracanã...

---Bonito ao final do jogo ter havido confraternização pelas ruas do país, entre botafoguenses, tricolores, e rubronegros ! Tão bom se fosse assim o ano todo!

---Ronaldo Angelim... O Rondinelli da hora! Que história bonita! Que raça, e que humildade!

---Muito ridículo esse negócio de a TV só mostrar festa do Flamengo no Leblon, e esquecer que rubronegros moram em Madureira, Dq de Caxias, etc, e que também lá fazem festa! Ao que se sabe, lá não houve pitboys rolando no asfalto...

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

SEMPRE ACHEI QUE ALGUÉM IA ME OUVIR


---Há quatro anos vejo uma arena montada entre pessoas que pertencem ao mesmo exército (o da defesa dos direitos de crianças e adolescentes), mas se degladiam, gastando energia preciosa, que o adversário suga, enquanto cresce e ataca no vácuo deixado pela batalha insana.

---Há quatro anos sobram flechas para mim, pacifista inconveniente para os que não querem deitar armas ao solo para assentar-se à mesa do diálogo.

---Há quatro anos a fama de irascível me acompanha, quando desfilo com veemência meu inconformismo com a maluquice, a incompreensível amurada, o abismo artificial, montado e remontado sem razão.

---Há quatro anos falo sozinho, no deserto, um João Batista com muitos Herodes à volta. A bandeja já me espreitou o pescoço muitas vezes. Mas resisti. Continuo. Sempre achei que alguém ia me ouvir. Afinal, tenho história.

---Certa vez, pregador jovem, na Igreja Batista de Petrópolis, preguei numa praça vazia. Era um feriado ou coisa parecida, mas o grupo tinha feito suas preces, metido bateria e guitarras às costas, e fomos à praça. Pensaram em cancelar. Eu era o preletor. Disse: Falo assim mesmo. Não me assustam multidões, praças vazias também não. Se há mensagem, tem que ser entregue, foi uma lição que, novo, aprendi. Preguei à praça vazia. Ao fim da noite, já na igreja, aproximou-se um homem, que escutara, atrás de uma pilastra. Naquele dia seu desespero encontrou paz. Continuo, então, falando a praças vazias. Sei lá quem está atrás da pilastra?

---De outra feita, uma peça de teatro, e um blecaute, 10 minutos pós peça começada, num tempo sem celulares. Pedimos ajuda à platéia. Continuamos a peça, à luz de isqueiros e entusiasmo. Ninguem saiu. Continuo apresentando meu texto, mesmo no escuro da incompreensão. Sei lá se alguém traz um isqueiro?

---Teve também a greve que fiz sozinho. Nova Friburgo. Já nos tempos do neoliberalismo triunfante, esmagador de empregos. No dia marcado para o movimento coletivo, baixou a repressão, polícia, gerentes de banco ensandecidos, agarrando gente pelo pescoço... houve medo. Compreendi. Mandei os poucos que saíam para aderir retornarem a seus postos, porque tremiam de medo. Choravam. Passei o dia na porta da agência bancária, discursando contra a intolerância e confortando os que tombaram no medo. Era uma greve solitária, aquela minha. Mas sabia que alguém ia me ouvir. Um dia, mais tarde, aquele gerente alucinado foi derrubado pelos próprios funcionários.

---E assim tem sido. Falar sozinho não me incomoda. "Palavras, o vento leva", não é? Diz-se assim, no sentido da efemeridade do verbo. Mas aprendi que o ventio às vezes carrega palavras ao ouvido certo. Que assim seja.

---Há quatro anos, falo sozinho. Mas sempre achei que alguém ia me ouvir. Até porque a mensagem não é minha. Diálogo, união e abraço são mensagens de Deus. As prego. Sempre. Acho que alguém vai ouvir.

---Parece que chegou a hora. Amém!

GERAÇÃO ZICO

---Tinha que vir aquela presença do passado, mais presente do que nunca: Andrade, um legítimo representante da Geração Zico, que já nos deu 05 títulos brasileiros. Por isso, torço. A memória daquele futebol de violinistas refinados ainda soa forte no coração. Andrade merece o título. Não me empolgam Leonardos Mouras e Juans, rapazes que já pisaram no clube pensando na Europa. Me encanta mais a garra de Toró, de William, de Álvaro, jogadores assim, assim tecnicamente, mas que explodem energia e combate em campo. Isso é história do Flamengo. E Andrade me empolga. E Petkovic, que merece um título brasileiro, depois do seu nomadismo inesquecível pelo Brasil afora. Um sujeito que merecia estar numa Copa do Mundo, oportunidade que as dores de problemas políticos do país esfarelado lhe furtaram. Um estrangeiro que merece figurar na luminosa galeria dos gringos mais rubronegros que o Flamengo teve, com Valido, Doval, e Reyes, claro.
---Agora, impressionante como há vascaínos, tricolores e botafoguenses indignados com a possibilidade do hexa. Uma pena. Acreditem ou não, torci pelo reerguimento vascaíno (porque Roberto Dinamite não merecia ficar carimbado com a herança (maldita, essa sim) do Eurico Miranda). Torci e torço pelo Fluminense que está fazendo uma extraordinária odisséia de orgulhar qualquer torcedor, tricolor ou não, lembrando a muito boleiro que só pensa em contratos e cifras na Europa uma das razões porque de ponta a ponta deste país crianças, meninas, moleques, adultos e idosos correm atrás de uma bola: paixão pelo jogo, de inexplicável sedução e imbatível democracia. E apesar de não ver muita coisa nesse time do Botafogo, a memória de Jairzinho, Gérson e Garrincha me impede de jogar aquela estrela na lama. Afora que não há graça em ser "Rei" (como o Flamengo foi coroado este ano com o recorde de títulos estaduais) de um Rio deserto de adversários dignos.
---Claro, o Maracanã é sempre aquele drama do Uruguai de 50. Mas Andrade está lá. Que venham os gaúchos.